A Polícia Civil do Paraná prendeu um homem suspeito de infiltrar-se de forma fraudulenta em sistemas de justiça de diversos estados e estabelecer conexões com o crime organizado. A prisão aconteceu nas primeiras horas desta quarta-feira (10), em Fortaleza (CE), com o apoio da Polícia Civil do Ceará.
A investigação teve início quando foi constatado o uso de identidades falsas e tecnologias de certificação digital para subverter a segurança institucional de tribunais e parlatórios virtuais. Entre os crimes apurados estão falsidade ideológica e uso de documento falso, além de colaboração com organizações criminosas.
A PCPR identificou que o investigado teria acessado, de forma fraudulenta, ao menos 80 processos de execução penal no Paraná e realizou 118 atendimentos virtuais a detentos em unidades prisionais de Santa Catarina utilizando credenciais falsas.
A PCPR também verificou que o suspeito mantinha contato direto com lideranças de uma organização criminosa catarinense. Utilizando-se de falso perfil profissional, oferecia serviços ilícitos à cúpula da organização, incluindo a promessa de transferências de presos mediante pagamentos de até R$ 200 mil.
“Ele alegava possuir supostos contatos influentes no Supremo Tribunal Federal para agilizar os trâmites processuais em benefício do grupo criminoso”, explicou o delegado Emmanoel David.
Além de utilizar indevidamente o registro profissional de um advogado de São Paulo, o investigado chegou a atuar formalmente perante tribunais.
No Tribunal de Justiça do Ceará, ele realizou sustentação oral em causa própria durante uma sessão da Terceira Câmara Criminal, valendo-se da identidade falsa para postular perante o colegiado de segundo grau. Em 2016, chegou a ser preso em flagrante portando documentos em nome de um então Deputado Federal.
Para dificultar o rastreamento policial, o investigado alterou legalmente seu nome no registro civil.
As diligências técnicas também confirmaram que ele fazia uso de dois números de CPF distintos, sendo um ativo e regular e outro suspenso, alternando os dados conforme a necessidade da fraude.
O preso possui registros criminais desde a década de 1990. No ano 2000, foi acusado de aplicar golpes contra bancos no Brasil e no exterior que somaram aproximadamente US$ 30 milhões.
Em 2001, ele foi apontado como o mentor de uma quadrilha que tentou clonar o cartão de crédito de um então governador de estado.

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