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‘Pensei que aprenderiam a lição’; a história da ‘sirene humana’ que salvou centenas de vidas em Mariana


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De moto, Paula Geralda Alves foi até o povoado de Bento Rodrigues para alertar sobre o rompimento da barragem da Samarco em Mariana

Foto: Arquivo Pessoal
A estrutura que armazenava rejeitos das minas da região não era equipada com sirenes de alerta

“Corre, a barragem estourou! Corre todo mundo!”. Os gritos de Paula Geralda Alves e a buzina da pequena moto dela, apelidada carinhosamente de Berenice, foram a sirene que não tocou em Mariana (MG), quando a barragem da Samarco – de propriedade da Vale e da anglo-australiana BHP – se rompeu em 2015.

Ao saber do desastre em primeira mão por uma frequência de rádio de um veículo da Samarco, Paula arriscou a vida para avisar a população de Bento Rodrigues. Em vez de correr para cima de um morro e se proteger, subiu na moto e desceu até o povoado, que ficava a menos de 6 km da barragem de Fundão.

A estrutura que armazenava rejeitos das minas da região não era equipada com sirenes de alerta. Só o som avassalador de árvores se rompendo seria ouvido segundos antes de Bento Rodrigues ser engolida pela lama.

Mas os gritos de Paula salvaram as cerca de 400 pessoas que moravam no povoado e que correram em desespero para um local seguro após o alerta. 19 pessoas morreram, mas o número de vítimas poderia ter sido muito maior.

Agora, apenas três anos depois da tragédia em Mariana, também não houve alerta de sirenes quando a barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, se rompeu. E não havia Paula Geralda.

Pelo menos 150 pessoas morreram e 182 continuam desaparecidas nesta que pode se tornar a pior tragédia humana da história em acidentes com barragens.

“Mais uma vez aconteceu um crime e dessa vez foi pior ainda, porque foi uma tragédia humana. Pensei que Mariana serviria de alerta, pensei que aprenderiam a lição”, disse Paula Geralda.

 

 

 


Fonte: *Redação Cornélio Notícias, com informações do portal BBC Brasil


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