A Comissão Parlamentar de Inquérito mista do INSS aprovou, na quinta-feira (26), a quebra de sigilo bancário e fiscal de um dos filhos do presidente Lula (PT), Fábio Luís, conhecido no mundo político como "Lulinha".
Após a votação, alguns parlamentares entraram em confronto e precisaram ser separados. Aliados do governo tentaram protestar contra a aprovação na mesa diretora e a oposição reagiu.
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ), alegou ter sido atingido por socos e o deputado Rogério Correa (PT-MG), afirmou que o atingiu de maneira não intencional, ao ser empurrado e lhe pediu desculpas.
A sessão chegou a ser suspensa por conta da confusão e ao retomar, o deputado federal Paulo Pimenta (PT), disse que iria pedir a anulação da votação por "quebra do regimento" ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O governista também afirmou que entraria com uma representação no Conselho de Ética da Casa contra o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), por "fraudar o resultado da votação".
Viana negou o pedido de anulação feito na comissão e, em coletiva à imprensa, disse que o governo compareceu na comissão "com a decisão de blindar toda a pauta" da reunião.
Segundo o presidente, os requerimentos para quebras de sigilo foram votados em bloco e o painel da CPI marcava quórum de 31 presentes. Ele diz que o governo teve 14 votos e portanto não alcançou os 15 votos que seriam necessários para ter maioria.
Viana comemorou a aprovação da quebra de sigilo. "Quem ganhou foi o povo brasileiro, porque a pauta de hoje é uma das principais desta CPI. São todos os grandes envolvidos e nomes que têm contas a prestar", disse
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que houve "a prática corriqueira do bolsonarismo, uma tentativa de golpe".
Ele disse que Viana não quis atender requerimentos do PT para investigar o BRB, pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a Romeu Zema (Novo) e portanto faz uma "investigação seletiva".
Os petistas afirmam que, no momento da votação, havia 21 parlamentares presentes, sendo que 14 votaram contra a aprovação das quebras de sigilo. Eles argumentam que imagens da TV Senado mostram quantos congressistas estavam presentes e quantos votaram de forma contrária.
O requerimento de convocação foi feito pelo relator da CPI, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Ele alegou supostos pagamentos de um dirigente petista que teria recebido dinheiro de empresa citada nas investigações do caso dos descontos ilegais e transferido ao contador de Fábio Luiz.
Ele também afirmou que a necessidade de investigar Fábio Luis decorreria diretamente de mensagens interceptadas em que o lobista Antônio Camilo, conhecido como "Careca do INSS", ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, que seria amiga de Lulinha, responde explicitamente tratar-se de "o filho do rapaz".
O grupo também aprovou a convocação do ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Gaspar, que foi preso durante a operação “Sem Desconto,” que investiga desvios de aposentadorias do INSS. Ele teria assinado uma procuração de movimentação de contas bancárias e entregado para Rubens Oliveira, apontado como um dos operadores dos descontos irregulares.
Também foram aprovados os pedidos de convocação de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master e elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira e quebra de sigilo bancário e fiscal de empresas ligadas ao banco.

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